domingo, 25 de junho de 2006
Acabou?! Finalmente!
Mas lá vai uma (duas na vdd) coisa linda...
=***
As Coisas
Jorge Luis Borges
A bengala, as moedas, o chaveiro,
A dócil fechadura, as tardias
Notas que não lerão os poucos dias
Que me restam, os naipes e o tabuleiro,
Um livro e em suas páginas a ofendida
Violeta, monumento de uma tarde,
De certo inesquecível e já esquecida,
O rubro espelho ocidental em que arde
Uma ilusória aurora.
Quantas coisas,
Limas, umbrais, atlas e taças, cravos,
Nos servem como tácitos escravos,
Cegas e estranhamente sigilosas!
Durarão muito além de nosso olvido:
E nunca saberão que havemos ido.
Balada das coisas sem importância
François Villon
Conheço se há moscas no leite,
Conheço pela roupa o homem,
Conheço o tédio e o deleite,
Conheço a fartura e a fome,
Conheço a mulher pelo enfeite,
Conheço o princípio e o fim,
Conheço pela chama o azeite,
Conheço tudo, menos a mim.
Conheço o gibão pela gola,
Conheço o rico pelo anel,
Conheço o fiel pela sacola,
Conheço a monja pelo véu,
Conheço o porco pela tripa,
Conheço o irmão pelo latim,
Conheço o vinho pela pipa,
Conheço tudo, menos a mim.
Conheço a mula e o cavalo,
Conheço o carro e a carreta,
Conheço a galinha e o galo,
Conheço o sino e a sineta,
Conheço a flor pelo talo
Conheço Abel e Caim,
Conheço o pote e o gargalo,
Conheço tudo, menos a mim.
Ofertório
Príncipe, conheço tudo em suma,
Conheço o branco e o carmim,
E a morte que o fim consuma.
Conheço tudo, menos a mim.
sábado, 24 de junho de 2006
quinta-feira, 22 de junho de 2006
Vazia...
Volto aqui assim que isso passar (espero que breve, muuuuito brevemente). Por enquanto deixo aqui uma coisa bem linda que li na TPM desse mês ;) aproveitem e visitem o site! www.revistatpm.com.br
=***
PS: Sim, ela é gay.
Sabe do que eu gostava e nunca te falei? Quando você saía do banho. Você nunca conseguiu se secar direito. Vinha pingando pelo quarto. Cabelo displicentemente penteado, e completamente encharcado. De calcinha, e escorrendo água por aquele corpo reto, sarado, lindo. Aí, como se estivesse completamente seca, você deitava na cama, do meu lado. Colada. E me beijava com a boca doce, úmida, só minha.
terça-feira, 20 de junho de 2006
Cof Cof
Quem gostar vai lá no fotolog dele aí nos meus links! ------------------>
=****
Entrou no elevador com o cachorro, apertou no nono e esperou. Olhou para o teto, e as luzes estavam bem acesas. No nono andar, esperava uma mulher, que tossia sempre que fazia silêncio. No teatro era sempre. Silêncio, cof cof. Na espera do elevador, também. Chegou o elevador, e o que o cachorro pensou? Entrou, fechou a porta, saiu e o mundo era outro. Mas o que ele pensou, eu não sei. Abanou o rabo, vai ver não pensou. Esbarraram, e a dona que estava com o cachorrinho pensou que puta que pariu. E dentro do elevador, a mulher cof cof. Chegou no térreo, tropeçou no desnível do elevador com o terreno, olhou para os lados e não havia ninguém. Ninguém? Então cof cof. Não tinha catarro, não. Era o silêncio que ela não conseguia engolir. Cof cof. E o cachorrinho entrou em casa, estava cansado; não mais do que se tivesse subido as escadas. Abanou o rabinho, procurou alguém em casa, mas só havia a companhia velha. Parou de abanar o rabinho e se viu na solidão. Mas ele não pensou que estivesse sozinho, não. Deitou e dormiu. A cidade que estava vazia, e o ouvido dele que era muito eficaz, ouviu lá de baixo: cof cof. A mulher entra na garagem, liga o carro, liga o som e pára de tossir. Atchim, agora foi de poeira. E o cachorrinho foi fazer xixi. Nunca percebeu para quê servia o jornal. Sua dona olhou e fez que “puta merda”. Bufou. “Caralho, Péricles!”. Péricles viu que era com ele, abanou o rabinho e quis comida. E o carro sai da garagem. O adesivo escrito Flávia está bem no vidro, mas Flávia não olha, porque já se acostumou. Pausa na música, cof cof. Pensou em uma boa maneira de se matar, acelerando o carro em uma boa velocidade. E cair de uma boa altura. Vai ser bom, assim. Puta que pariu! O sujeito vem na direção da Flávia e pergunta sempre se referindo à dona. Que ela não pode ser assim tão distraída, que... puta que pariu! A dona está desmaiada! Pessoas ficam em volta do carro, Flávia acorda e não se lembra do que ia fazer. Levanta e sai do carro. Querem acudi-la, mas não precisa. Não precisa. Conforme vai indo, as pessoas vão desistindo. Ela sobe em uma mureta e se joga. Mas a queda não foi suficiente, e ela acordou na fila do hospital público. E Péricles acorda porque... “Maria!”. Era a vizinha chamando a dona de Péricles, mas Maria não tem tomate. Só que tem, sim. Ela não queria era dar assim, de graça para a vizinha de quem não gostava. Maria liga o rádio, espera alguma coisa. Espera mais um pouco. Vê que a alegria não é costumeira. E se lembra da tristeza. Esta, sim, é costumeira. Da tristeza do marido que morreu. Estava esperando o marido, que já morreu. Ela esperava, mas parou de esperar e desanimou. Péricles também estava esperando, mas não sabia. Esperava somente. Ficaria feliz se Mário chegasse, mas só quando chegasse. Se não chegasse, triste não ficaria. Mário, no caixão, era só os ossos. Flávia teve inveja quando soube. Inveja de Mário. Morrer, assim, de morte natural. Um câncer pode ser bem um consolo. Mas ela tinha mãe e achou melhor a mãe morrer primeiro para ela poder morrer também. A mãe morreu, e Flávia disse que ufa! Agora poderia. Poderia, mas não conseguiu. Ora, paciência. Mas paciência é uma virtude dos vivos que não esperam a morte.
sexta-feira, 16 de junho de 2006
Ai minha preguiça e falta de vontade de estudar =/
De qualquer forma etá sendo interessante.
Então ponho aqui um dos poemas que li hoje (pela milésima vez).
obs: Se o mister Eric loiro passar aqui vai me xingar, mas paciência!
=***
Adiamento
Álvaro de Campos
Depois de amanhã, sim, só depois de amanhã...
E assim será possível; mas hoje não...
Não, hoje nada; hoje não posso.
A persistência confusa da minha subjetividade objetiva,
O sono da minha vida real, intercalado,
O cansaço antecipado e infinito,
Um cansaço de mundos para apanhar um elétrico...
Esta espécie de alma...
Só depois de amanhã...
Hoje quero preparar-me,
Quero preparar-rne para pensar amanhã no dia seguinte...
Ele é que é decisivo.
Tenho já o plano traçado; mas não, hoje não traço planos...
Amanhã é o dia dos planos.
Amanhã sentar-me-ei à secretária para conquistar o mundo;
Mas só conquistarei o mundo depois de amanhã...
Tenho vontade de chorar,
Tenho vontade de chorar muito de repente, de dentro...
Não, não queiram saber mais nada, é segredo, não digo.
Só depois de amanhã...
Quando era criança o circo de domingo divertia-rne toda a semana.
Hoje só me diverte o circo de domingo de toda a semana da minha infância...
Depois de amanhã serei outro,
A minha vida triunfar-se-á,
Todas as minhas qualidades reais de inteligente, lido e prático
Serão convocadas por um edital...
Mas por um edital de amanhã...
Hoje quero dormir, redigirei amanhã...
Por hoje, qual é o espetáculo que me repetiria a infância?
Mesmo para eu comprar os bilhetes amanhã,
Que depois de amanhã é que está bem o espetáculo...
Antes, não...
Depois de amanhã terei a pose pública que amanhã estudarei.
Depois de amanhã serei finalmente o que hoje não posso nunca ser.
depois de amanhã...
Tenho sono como o frio de um cão vadio.
Tenho muito sono.
Amanhã te direi as palavras, ou depois de amanhã...
Sim, talvez só depois de amanhã...
O porvir...
Sim, o porvir...
quinta-feira, 15 de junho de 2006
Meus olhos embotados de asfalto e stress (a-quase-lei-do-homem-moderno)
"Eu vejo um museu de grandes novidades"

O lugar é MARAVILHOSO! Um super passeio pra um feriadão meio-morto (pra nós que não fomos nos jurídicos nem no JUCA). Um acervo interessantíssimo com Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti, Anita Malfatti, Volpi e até Picasso que parece ignorado pela maior parte da comunidade universitária e da cidade... Triste!
Pra quem tiver interesse eles estão expondo no momento (além do acervo fixo) "Volpi e as heranças contemporâneas". Vale muito a pena mesmo!
Só mais uma recomendação(zinha)... a TPM desse mês está linda! Falndo de relacionamentos amorosos com um enfoque muito interessante (sem contar um texto maravilhoso entitulado Nada passa... adorei). Pra meus colegas queridos eu posso emprestar ;)
Bom feriado para todos!
=***
terça-feira, 13 de junho de 2006
Recomendo ;)
entrem no http://ericafuracao.blogspot.com da minha amiga erica da sociais...
Recomendo "Rosas Vermelhas"...
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Blasé
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PODE?!?!?!?
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PS: Antecipo seus pensamentos... SIM, EU SOU UM CLICHê!... Grito com toda a força de meus pulmões. É o que tem pra hoje... nada a fazer!
