quarta-feira, 20 de dezembro de 2006

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Hoje me lembraram que devia escrever esse texto e eu estava me sentindo assim: . , ponto, P-O-N-T-O. Algo como disse Chico, estou me sentindo um jiló, um legume. Ainda melhor: me sinto um legume-autista, uma carpa em coma... entenderam?
Ta! Eu sei o que parece, já ouvi isso mais de uma vez: “garota mimada e riquinha” BLÁ, BLÁ, BLÁ... Mas tenho certeza que vocês (justo VOCÊS, leitores desse zine tão interessante) vão me entender! Sabe qual é o problema? É a maldita síndrome de final de ano.
O que faz o final do ano diferente de julho!? NADA! Mas, mesmo assim, todos nós nos colocamos a fazer frenéticos balanços de nossas vidas e do ano que passou. Um poeta (Um, em tempos de Internet o que será da autoria?) já disse melhor do que eu:

"Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias,

a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial,
industrializou a esperança,
fazendo-a funcionar no limite da exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar
e entregar os pontos.
Ai entra o milagre da renovação
e tudo começa outra vez,
com outro numero e outra vontade de acreditar que
daqui por diante vai ser diferente."

[Só tem um probleminhazinho. Me falta essa vontade, eu não acredito. Ou não?]

Mas sabe qual é a coisa mais interessante nesses balanços (e que o poeta esqueceu)? É que eles também fazem a hipocrisia funcionar “no limite da exaustão”. Quem pode dizer que saiu com superavit de qualquer ano? A maior parte de nós, nem que seja só beeeeem no fundo do subconsciente convenientemente esquecido, percebe que as conquistas são poucas... e, mesmo assim, todos saem alardeando grandes feitos durante as visitas aos parentes ausentes no natal.
O que aquele campeonato de futebol que o seu time conquistou fez para o mundo? E aquele seu diploma de arquiteto? E ter encontrado o amor da sua vida? E ter passado naquela matéria daquele professor chato? E ter conseguido fazer o tal regime? Ou não?

Plantão de notícias: enquanto isso na África... enquanto isso no Brasil... fome? Guerras? Morte?

Na verdade, eu acredito (não sei como, mas continuo viva não?). Não em nada do que eu já tenha feito, já disse que me sinto um ponto. Mas acho que acredito que pode chegar o dia em que haverá a possibilidade de eu estar viva para ver, não alguém, mas muitos algéns fazerem alguma coisa de verdade, saírem de si: COLETIVO [e esse texto só de eus é a barreira, derrubem-no].

segunda-feira, 18 de dezembro de 2006

Um presente

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Muito prazer, sou Giovanna
Mas pode chamar de Gi
Talvez de “A Deusa Profana”

De gauche, de doida de pedra
Até de louca varrida
Ou simplesmente de insana

Detesto todos os rótulos
E não quero nem saber
De sicrano ou de fulana

A música pulsa em mim
Gosto de festas, de gente
De diversão e de cana

Paulista desgovernada
Livre, tímida e tarada
Garota chicobuarqueana

Eu não sou pura nem puta
Eu sou muitas e sou múltiplas
Entre Lilith e Poliana

Quero amor em cada porto
Mas não sei onde atracar
Soy una simple gitana

Eu nunca quis ser perfeita
Corro riscos contra o tempo
Nessa vida arquimundana

Eu ainda não tenho juízo
Porque não sei onde vendem
Por um precinho bacana

Em uma eterna procura
Quem sou eu?
Quem é você?
Muito prazer, sou Giovanna!
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By Eric Rieser