segunda-feira, 16 de outubro de 2006

Vamos lá!!! Quero críticas sem dó pra esse!!!

Louise Bourgeois: me faz, desfaz, refaz
Por Giovanna Saliba Montemurro

Impossível lembrar a primeira vez que a vi, ela está em minhas recordações imemoriáveis de arte: como um ícone, um totem. E isso tudo sem status ou glamurização, não uma obra de uma grande artista, mas antes uma grande obra de alguma artista.
Para mim, essa foi Spider de Louise Bourgeois até tempos, confesso, bastante recentes. E não é para menos. A gigante de três metros de altura e aproximadamente 200 quilos de bronze acompanhou, desde 1997, muitos dos meus fins de semana infantis na Marquise do Ibirapuera, onde está em exposição permanente pelo Museu de Arte Moderna (MAM).
No entanto, desde aquela época, o meu crescente conhecimento de mundo e de arte resignificou-a, encheu-a de novos referentes. E é aí que entra uma das mais instigantes características da (que eu considero) boa arte contemporânea. Para o leigo (ou, no caso, para a criança), a arte tem o seu valor estético e emocional, fonte de grande impacto e admiração. Já para aquele que estuda a arte e sua história, a obra agrega, além do primeiro efeito, um segundo de grande valia: a reflexão.
Foi lendo Paulo Herhenhoff que aprendi sobre ela, mas foi vendo Denise Stoklos em cena (Louise Bourgeois:I do, I undo, I redo) que aprendi a verdadeiramente senti-la.
Psicanálise, família, feminilidade, história. Todos esses são fatores que entraram para a minha atual análise dessa obra de Louise, trazendo a tona a maior parte das problemáticas centrais mais fortes da artista.
Tendo baseado toda a sua obra em suas recordações da infância e nos desdobramentos freudianos dela (“Minha infância nunca perdeu sua magia, nunca perdeu seu mistério, nunca perdeu seu drama”, disse ela), suas esculturas vêm repletas de fortes significados emocionais: daí a necessidade vital da compreensão da biografia da artista e de sua complexa personalidade.
Filha do meio, Louise era freqüentemente colocada em situação de vulnerabilidade pelo pai, que a queria menino. Além disso, sugestões de abuso sexual pelo pai, a amante que ele mantinha na casa da família e o trabalho de recuperação de tapeçarias, povoam toda sua obra, sendo referências fundamentais para seu entendimento.
Após um período estudando Geometria na Sorbonne, decide estudar arte no ateliê de Léger. Lá, em um momento quase epifânico, o pintor guia Louise na descoberta de sua vocação pela escultura. Isso, juntamente com a influência do trabalho com a tapeçaria na infância, traz um dos motes de sua arte: fazer, destruir e refazer num ciclo contínuo.
Tendo em vista as experiências da infância da artista podemos entender melhor Spider. Como uma gigantesta imagem do arquétipo da mãe (uma escultura semelhante foi intitulada por ela Mamma), a obra de Louise “retira a mulher da zona da sombra da história da arte. O sujeito da arte é uma mulher. [A aranha] é trabalho, doação, proteção e previdência. É da potência da teia oferecer-nos acolhida ou enredar-nos como uma presa. 'A domesticidade é muito importante. Eu a acho avassaladora. Como tem de ser prática, paciente e prendada', disse Louise. A afetuosa memória da maternidade está entremeada nas esculturas.” – escreveu Paulo Herhenhoff, grande estudioso e amigo pessoal da artista.
Com seus 95 anos, Louise tem uma teia de convivências que passa por grandes nomes como Miró, Duchamp, Pollock, Munch e Bacon, sendo considerada por muitos a maior artista plástica do século.
Mas essa pequena descrição é incapaz de dar a dimensão de quem é essa grande-pequena mulher. Louise não cabe nesses papéis, não cabe em mim. Sua existência completa desaparecerá junto com ela, apesar dos esforços, é impossível apreendê-la. Parece que o impacto inicial da obra em minha infância adivinhou a densidade emocional e energética colocada pela artista em suas obras. Fica, então, a sensação de intimidade. Louise faz parte de minha vida há tempos e agora mais. Toca-me emocional e intelectualmente e sua obra, hoje, se faz, desfaz e refaz em mim.

terça-feira, 3 de outubro de 2006

Tem dias que Louise dói em mim


segunda-feira, 18 de setembro de 2006

Metade - Osvaldo Montenegro

Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio
Que a música que ouço ao longe
Seja linda, ainda que tristeza
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade
Que a mulher que eu amo
Seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece
Nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta
A um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo
Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma
E na paz que eu mereço
E que essa tensão
Que me corroe por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que penso
Mas a outra metade é um vulcão
Que o medo da solidão se afaste
E que o convívio comigo mesmo
Se torne ao menos suportável
Que o espelho reflita
Em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Porque metade de mim
É a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei
Que não seja preciso
Mais do que uma simples alegria
Para me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio
Me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço
Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade
Para faze-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção
E que a minha loucura
Seja perdoada
Porque metade de mim
É amor
E a outra metade
Também

sexta-feira, 28 de julho de 2006

Adoro

Por que será que a gente
Sempre sente o fim?
Como se nunca mais fosse ver
Tudo aquilo de novo
Eu nem tive tempo de me despedir
Ela veio e me carregou
E todas aquelas coisas que sonhei e planejei
Ficaram suspensas no ar, como idéias estúpidas
Sem sentido nem objetivo
Me deixem ser uma criança boba em paz
Não preciso ser pisada a cada cinco minutos
Para me lembrar de que sou aquela mulher
Forte, persistente, fria a perder de vista
Da maneira que mais agrada a toda gente
Enfim
Minhas dores infinitas, por dentro e por fora
Quem é que vai me salvar de mim?"
(Erica da Rocha Martins)

terça-feira, 4 de julho de 2006

Os piratas do rei

Tô doente =/ mtoo doente... Então domingo assisti 5 filmes.
Alguns bons, outros nem tanto.

Na verdade o que eu queria falar (bem rapidamente só pra não deixar isso aqui bandonado de tudo) é que antes de um dos filmes começarem eu li o seguinte:

Piracy. It's a crime.


Que eu me lembre, se não me engano, os corsários eram os piratas do rei...
A pirataria só é crime quando são eles que perdem dinheiro, porque eles não pensaram duas vezes antes de construir seus países nos alicerces da pirataria....

Ridículo como sempre...

=**

domingo, 25 de junho de 2006

Acabou?! Finalmente!

Sem tempo =/
Mas lá vai uma (duas na vdd) coisa linda...
=***


As Coisas

Jorge Luis Borges

A bengala, as moedas, o chaveiro,

A dócil fechadura, as tardias
Notas que não lerão os poucos dias
Que me restam, os naipes e o tabuleiro,
Um livro e em suas páginas a ofendida
Violeta, monumento de uma tarde,
De certo inesquecível e já esquecida,
O rubro espelho ocidental em que arde
Uma ilusória aurora.
Quantas coisas,
Limas, umbrais, atlas e taças, cravos,
Nos servem como tácitos escravos,
Cegas e estranhamente sigilosas!
Durarão muito além de nosso olvido:
E nunca saberão que havemos ido.



Balada das coisas sem importância
François Villon

Conheço se há moscas no leite,

Conheço pela roupa o homem,
Conheço o tédio e o deleite,
Conheço a fartura e a fome,
Conheço a mulher pelo enfeite,
Conheço o princípio e o fim,
Conheço pela chama o azeite,
Conheço tudo, menos a mim.
Conheço o gibão pela gola,

Conheço o rico pelo anel,
Conheço o fiel pela sacola,
Conheço a monja pelo véu,
Conheço o porco pela tripa,
Conheço o irmão pelo latim,
Conheço o vinho pela pipa,
Conheço tudo, menos a mim.
Conheço a mula e o cavalo,

Conheço o carro e a carreta,
Conheço a galinha e o galo,
Conheço o sino e a sineta,
Conheço a flor pelo talo
Conheço Abel e Caim,
Conheço o pote e o gargalo,
Conheço tudo, menos a mim.

Ofertório
Príncipe, conheço tudo em suma,

Conheço o branco e o carmim,
E a morte que o fim consuma.
Conheço tudo, menos a mim.

sábado, 24 de junho de 2006

Erramos? (!)

Ergues da justiça a clava forte? Algum dia?

Peço uma correção no hino nacional...

quinta-feira, 22 de junho de 2006

Vazia...

Minha mente anda vazia... Desculpem-me aqueles que frequentam o blog (em sua tão curta existência). Hoje estou realmente vazia de poesia... sem nada a acrescentar. Sem problemas, só um dia inóquo.
Volto aqui assim que isso passar (espero que breve, muuuuito brevemente). Por enquanto deixo aqui uma coisa bem linda que li na TPM desse mês ;) aproveitem e visitem o site! www.revistatpm.com.br

=***

PS: Sim, ela é gay.
Eu já te disse?

Sabe do que eu gostava e nunca te falei? Quando você saía do banho. Você nunca conseguiu se secar direito. Vinha pingando pelo quarto. Cabelo displicentemente penteado, e completamente encharcado. De calcinha, e escorrendo água por aquele corpo reto, sarado, lindo. Aí, como se estivesse completamente seca, você deitava na cama, do meu lado. Colada. E me beijava com a boca doce, úmida, só minha.
Depois de um tempo, lembrava dos cachorros, e abaixava, de bruços, para recolhê-los para cima. Enquanto fazia isso, me lançava um olhar que pedia aprovação. Se eu não dissesse nada, você cantarolava alguma coisa, algumas daquelas músicas que você compunha para eles e me fazia rir muito, e lá vinham aqueles dois cachorros miúdos correr pela cama em volta de você. Eu só deixava, e isso eu nunca te falei, porque adorava a cara que você fazia.
Você ria como uma criança. Uma criança que você é, e nunca vai deixar de ser. E isso, talvez eu nunca tenha te dito, é das coisas mais bonitas que você tem. Bonito porque, mesmo sendo tão pura e ingênua, você é madura, forte, determinada. Você é tudo isso em uma só. E o que me atraiu em você, numa tarde de verão californiano, foi exatamente essa mistura rara. E isso, eu acho, nunca te disse.
Eu também nunca te disse que você foi a melhor coisa que me aconteceu na vida, disse? Disse que nunca antes tinha amado de um jeito tão forte, tão químico, tão sensível? Que nunca tinha tremido de paixão como naquela noite que você me beijou no sofá da sala? E em todas as seguintes. Já te disse? E eu já te disse que você me entendia como ninguém jamais me entendeu na cama? Que eu nunca fui tão longe? Que te ver sorrindo em cima de mim, só pra mim, talvez seja, até hoje, minha paisagem predileta?
Sabe do que mais eu gostava? Quando você imitava o cara do desenho animado, o portuga. Eu ia trabalhar lembrando da imitação e morria de rir, sozinha no carro. Eu já te disse que te amei, entre tantas outras coisas, porque você me fazia rir? Já te disse que hoje, quando a gente se encontra e consegue superar a dor para falar do passado, você ainda me faz rir assim? Já te disse que lembrar da vida que eu tive do seu lado é meu passatempo predileto? Que você me ensinou sobre as pessoas, sobre as verdades, sobre futebol, sobre política, sobre justiça, sobre como um prédio sai do chão e chega ao último andar, sobre a lógica da vida?
Já te contei como essas coisas mudaram a forma como eu vejo o mundo? Já te disse como era bom ficar deitada no seu ombro? De como eu me sentia segura? De como eu gostava quando a gente via "cuickócuick" e de como a gente sacaneava, naquele jogo que vai ser para sempre só nosso, "Summerland"? Já te disse que, até hoje, quando eu ouço a sua voz no telefone, meu coração palpita diferente? Que a sua voz, as coisas que você me diz, o jeito que você diz, entram no meu ouvido da forma mais doce do mundo? Que eu adorava quando você me abraçava no meio da noite? Que eu chorava quando a gente fazia amor?
Já te disse que te ver chorar é como pegar uma faca bem afiada e ir passando ela devagarinho pela minha alma? Que eu ainda sonho com você? Com a gente lendo o jornal no chão da sala, tomando café, comendo as "especialidades" que você fazia para mim? Já te disse que eu comecei a escrever este texto umas 300 vezes e nunca consegui terminar porque as lágrimas não deixavam?
Já te disse que as músicas que você compôs no violão são as mais bonitas que eu já escutei? Que eu ouvia sozinha, escondida, quando você estava no trabalho, e elas me faziam chorar? Já te disse que eu adorava quando a gente ia almoçar na casa dos seus pais e suas irmãs ficavam falando de como você era mal- humorada na infância? Eu te olhava, ouvindo a mesa inteira falar de você, e via a mulher que só eu conhecia, que só eu amava daquele jeito tão fundo. E sentia um orgulho enorme. Aliás, e isso eu acho que eu já te disse, eu sinto tanto orgulho de você... Tanto.
Eu queria ver o mundo com seus olhos de criança, chorar e deixar as lágrimas pularem, e não apenas escorrerem. Queria ser indignada como você. Inquieta como você. Justa como você. Bonita como você. Intensa como você. E sabe o que mais eu queria? Ter tido um filho seu. Porque eu queria que você se multiplicasse. Acho que é disso que o mundo precisa. Pessoas bonitas, fortes, inquietas, indignadas, questinadoras, inteligentes. Como você.
Mas tem uma coisa que eu certamente nunca te disse. Por que a gente se separou. Sabe por que eu nunca te disse? Porque eu nunca entendi. Eu não sei o que te afastou de mim, o que me afastou de você. O que eu sei é isto: eu sempre vou te amar. Pelo que você é. Pelo que você foi. Pelo que você será.
A carioca Milly Lacombe, 38 anos, é jornalista.

terça-feira, 20 de junho de 2006

Cof Cof

Gente! To na correria por causa das provas, mas vou colocar aqui um texto de autoria do André (amigo lá da PUC). Adoro o que ele escreve... de verdade! Espero que vocês gostem também!
Quem gostar vai lá no fotolog dele aí nos meus links! ------------------>

=****

Entrou no elevador com o cachorro, apertou no nono e esperou. Olhou para o teto, e as luzes estavam bem acesas. No nono andar, esperava uma mulher, que tossia sempre que fazia silêncio. No teatro era sempre. Silêncio, cof cof. Na espera do elevador, também. Chegou o elevador, e o que o cachorro pensou? Entrou, fechou a porta, saiu e o mundo era outro. Mas o que ele pensou, eu não sei. Abanou o rabo, vai ver não pensou. Esbarraram, e a dona que estava com o cachorrinho pensou que puta que pariu. E dentro do elevador, a mulher cof cof. Chegou no térreo, tropeçou no desnível do elevador com o terreno, olhou para os lados e não havia ninguém. Ninguém? Então cof cof. Não tinha catarro, não. Era o silêncio que ela não conseguia engolir. Cof cof. E o cachorrinho entrou em casa, estava cansado; não mais do que se tivesse subido as escadas. Abanou o rabinho, procurou alguém em casa, mas só havia a companhia velha. Parou de abanar o rabinho e se viu na solidão. Mas ele não pensou que estivesse sozinho, não. Deitou e dormiu. A cidade que estava vazia, e o ouvido dele que era muito eficaz, ouviu lá de baixo: cof cof. A mulher entra na garagem, liga o carro, liga o som e pára de tossir. Atchim, agora foi de poeira. E o cachorrinho foi fazer xixi. Nunca percebeu para quê servia o jornal. Sua dona olhou e fez que “puta merda”. Bufou. “Caralho, Péricles!”. Péricles viu que era com ele, abanou o rabinho e quis comida. E o carro sai da garagem. O adesivo escrito Flávia está bem no vidro, mas Flávia não olha, porque já se acostumou. Pausa na música, cof cof. Pensou em uma boa maneira de se matar, acelerando o carro em uma boa velocidade. E cair de uma boa altura. Vai ser bom, assim. Puta que pariu! O sujeito vem na direção da Flávia e pergunta sempre se referindo à dona. Que ela não pode ser assim tão distraída, que... puta que pariu! A dona está desmaiada! Pessoas ficam em volta do carro, Flávia acorda e não se lembra do que ia fazer. Levanta e sai do carro. Querem acudi-la, mas não precisa. Não precisa. Conforme vai indo, as pessoas vão desistindo. Ela sobe em uma mureta e se joga. Mas a queda não foi suficiente, e ela acordou na fila do hospital público. E Péricles acorda porque... “Maria!”. Era a vizinha chamando a dona de Péricles, mas Maria não tem tomate. Só que tem, sim. Ela não queria era dar assim, de graça para a vizinha de quem não gostava. Maria liga o rádio, espera alguma coisa. Espera mais um pouco. Vê que a alegria não é costumeira. E se lembra da tristeza. Esta, sim, é costumeira. Da tristeza do marido que morreu. Estava esperando o marido, que já morreu. Ela esperava, mas parou de esperar e desanimou. Péricles também estava esperando, mas não sabia. Esperava somente. Ficaria feliz se Mário chegasse, mas só quando chegasse. Se não chegasse, triste não ficaria. Mário, no caixão, era só os ossos. Flávia teve inveja quando soube. Inveja de Mário. Morrer, assim, de morte natural. Um câncer pode ser bem um consolo. Mas ela tinha mãe e achou melhor a mãe morrer primeiro para ela poder morrer também. A mãe morreu, e Flávia disse que ufa! Agora poderia. Poderia, mas não conseguiu. Ora, paciência. Mas paciência é uma virtude dos vivos que não esperam a morte.

sexta-feira, 16 de junho de 2006

Ai minha preguiça e falta de vontade de estudar =/

Tô adorando esse negócio aqui... ele me dá uma desculpa pra alguns momentos lendo coisas maravilhosas não por obrigação. Faz sentido isso? Olha o que eu tô fazendo comigo mesma! Preciso de uma DESCULPA ESFARRAPADA pra parar pra ler... hauahauahaua é bizarro!
De qualquer forma etá sendo interessante.

Então ponho aqui um dos poemas que li hoje (pela milésima vez).
obs: Se o mister Eric loiro passar aqui vai me xingar, mas paciência!
=***


Adiamento

Álvaro de Campos

Depois de amanhã, sim, só depois de amanhã...

Levarei amanhã a pensar em depois de amanhã,
E assim será possível; mas hoje não...
Não, hoje nada; hoje não posso.
A persistência confusa da minha subjetividade objetiva,
O sono da minha vida real, intercalado,
O cansaço antecipado e infinito,
Um cansaço de mundos para apanhar um elétrico...
Esta espécie de alma...
Só depois de amanhã...
Hoje quero preparar-me,
Quero preparar-rne para pensar amanhã no dia seguinte...
Ele é que é decisivo.
Tenho já o plano traçado; mas não, hoje não traço planos...
Amanhã é o dia dos planos.
Amanhã sentar-me-ei à secretária para conquistar o mundo;
Mas só conquistarei o mundo depois de amanhã...
Tenho vontade de chorar,
Tenho vontade de chorar muito de repente, de dentro...
Não, não queiram saber mais nada, é segredo, não digo.
Só depois de amanhã...
Quando era criança o circo de domingo divertia-rne toda a semana.
Hoje só me diverte o circo de domingo de toda a semana da minha infância...
Depois de amanhã serei outro,
A minha vida triunfar-se-á,
Todas as minhas qualidades reais de inteligente, lido e prático
Serão convocadas por um edital...
Mas por um edital de amanhã...
Hoje quero dormir, redigirei amanhã...
Por hoje, qual é o espetáculo que me repetiria a infância?
Mesmo para eu comprar os bilhetes amanhã,
Que depois de amanhã é que está bem o espetáculo...
Antes, não...
Depois de amanhã terei a pose pública que amanhã estudarei.
Depois de amanhã serei finalmente o que hoje não posso nunca ser.
depois de amanhã...
Tenho sono como o frio de um cão vadio.
Tenho muito sono.
Amanhã te direi as palavras, ou depois de amanhã...
Sim, talvez só depois de amanhã...
O porvir...
Sim, o porvir...

quinta-feira, 15 de junho de 2006

Meus olhos embotados de asfalto e stress (a-quase-lei-do-homem-moderno)








Tem dias que isso parece fazer ainda mais sentido...


Quando me canso de tudo ainda tenho a arte
e posso renovar minha alma e desembotar meus olhos

Como já disse alguém: "O homem sem a cultura é só um macaco em vias de extinção"

"Eu vejo um museu de grandes novidades"

Bem pessoas... a minha criatividade hoje tá esgotada! Tô usando ela toda pra criar um roteiro de visitação pro MAC da USP. Então decidi aproveitar pra lançar em primeira mão a dica aqui (assim que eu acabar o roteiro talvez eu coloque ele aqui tbm...).


O lugar é MARAVILHOSO! Um super passeio pra um feriadão meio-morto (pra nós que não fomos nos jurídicos nem no JUCA). Um acervo interessantíssimo com Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti, Anita Malfatti, Volpi e até Picasso que parece ignorado pela maior parte da comunidade universitária e da cidade... Triste!

Pra quem tiver interesse eles estão expondo no momento (além do acervo fixo) "Volpi e as heranças contemporâneas". Vale muito a pena mesmo!

Só mais uma recomendação(zinha)... a TPM desse mês está linda! Falndo de relacionamentos amorosos com um enfoque muito interessante (sem contar um texto maravilhoso entitulado Nada passa... adorei). Pra meus colegas queridos eu posso emprestar ;)

Bom feriado para todos!

=***

terça-feira, 13 de junho de 2006

Recomendo ;)

Oi Gente!
entrem no http://ericafuracao.blogspot.com da minha amiga erica da sociais...

Recomendo "Rosas Vermelhas"...

=***

Blasé

Ando por uma das regiões mais ricas da GRAAAAAANDE sampa e, como judia em país antisemita, sou empurrada para a sarjeta: calçadas detonadas como um campo de guerra. Mas continuo blasé: queixo enterrado no peito e sigo andando...
*
*
*
PODE?!?!?!?
*
*
*
PS: Antecipo seus pensamentos... SIM, EU SOU UM CLICHê!... Grito com toda a força de meus pulmões. É o que tem pra hoje... nada a fazer!
* * *PPS: Tanta coisa pra ler! Devo estar um milhão de anos atrasada... HAJA HOJE PARA TANTO ONTEM... Já disse alguém muito sábio.

sexta-feira, 12 de maio de 2006

Poeminha

Só pra inaugurar...

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