Por Gi Montemurro
Imagine que você mora no décimo andar de um prédio e que você está no banho. Agora imagine que seu prédio fica a poucos metros do aeroporto de congonhas e... bum. Olhando pela janela você vê uma enorme quantidade de fumaça e chamas. Qual a sua reação?
Diante de uma das maiores tragédias de São Paulo a reação de um grande número de pessoas dividiu-se entre o desespero natural e a compulsividade pelo registro. Empunhando seus celulares e câmeras fotográficas, e um misto frieza e interesse, todos queriam produzir imagens da catástrofe.
Mas, PARA QUE?
Poucos minutos após o acidente o portal UOL já estampava o seguinte apelo em sua página principal: "Tirou fotos do acidente? Mande para nós!". Talvez o desejo de participar da produção de notícias ocupe parte da explicação para essa fúria fotográfica, mas isso certamente não explica tudo.
Tento voltar ao início e imaginar a minha reação, não encontro resposta. Mais do que criticar ou culpar os outros por sua falta de sensibilidade, consigo apenas sentir meu olhar cada vez mais embotado.
Quem somos nós: bombeiros que tiraram fotos de corpos incinerados, vendedores de pudim à beira do abismo, vizinhos curiosos buscando o registro da morte inédita? Quem somos nós?
domingo, 12 de agosto de 2007
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