sábado, 17 de novembro de 2007

isso não é um texto [rascunho a.m.]

Quadrilha 2.0
Por Gi Montemurro

Impressionante como o orkut pode dizer muito sobre uma pessoa (não, esse não é mais um texto idiota de apologia àquela coisa toda...). Não exatamente no que ela diz, mas nos pequenos sinais, no que deixa de dizer e no que escolhe pra mostrar.
Por exemplo, o fato da minha carinha de foto velha estar sempre na sua primeira página, diz pra mim que eu estou networking. Pra você, deveria dizer que estou só, apenas.
O dela diz que ela é uma moça de vinteepoucos anos, autêntica igual a tantas outras, desesperada para amar.
ELA TE AMA.
O seu diz... bem... Nesse momento ele parece dizer que você a ama tanto quanto ela ... eu não devo mesmo estar conseguindo ler por trás de tudo isso.
Porque insistir em mim? Porque fingir com ela?
Justo eu que desde o começo não te amei porque não queria amor e você também (?)
Diversão, você disse e eu concordei.
Mas acho que sou só eu lendo errado de novo. Diversão, no seu dicionário, significa não saber escolher
E estar, como todos os seres humanos, desesperado por amor, conforto e Doriana.
No meu, significa querer ser só para poder ser eu
Para poder achar embaixo das camadas de tantas outras vidas qual é, mesmo, a minha (?)
Sofro um pouquinho, mas vale a pena.
Eu não gostava de você mesmo. Tudo era demais (demenos) pra mim. Você fala demais.
Eu gosto mesmo sabe de quem?
DELA (!)
Por inúmeros motivos (dentre os quais não está uma imagem moderninha e meiga de vitrine), mas porque ela era(sou)eu.
*eu já passei por isso e você não quer ver*
Então, não faça isso comigo, não corra atrás dela. Me faça feliz que você ganha mais
.

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Vai entender...

"(...) graças a Deus eles são venais! Não são lobos da estepe: são homens que dão valor ao dinheiro! A corrupção dos homens é como a misericórdia de Deus: a única coisa com que podemos contar. Enquanto ela existir, as sentenças serão benevolentes e uma pessoa inocente poderá ter esperança de se livrar de uma condenação."

Mãe Coragem falando suas verdades em Mãe Coragem e seus filhos de Bertold Brecht

You grew up way too fast...

And even though the moment passed me by
I still can't turn away
Cause all the dreams you never thought you'd lose
Got tossed along the way
And letters that you never meant to send
Get lost or thrown away

And now we're grown up orphans
That never knew their names
We don't belong to no one
That's a shame

But if you could hide beside me
Maybe for a while
And I won't tell no one your name

Scars are souvenirs you never lose
The past is never far
Did you lose yourself somewhere out there
Did you get to be a star
And don't it make you sad to know that life
Is more than who we are

You grew up way too fast
And now there's nothing to believe
And reruns all become our history
A tired song keeps playing on a tired radio
And I won't tell no one your name

I think about you all the time
But I don't need the same
It's lonely where you are come back down
And I won't tell em your name

Goo Goo Dolls - Name

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

The killers

De Tati Bernardi. (http://blonicas.zip.net/)

Sempre que uma situação começa a ficar boa ou simplesmente começa, solto minhas frasezinhas bombas. Não sei se com isso quero realmente foder a minha vida ou me proteger de me foder. Acho que segundos antes de explodir tudo, penso assim: se eu falar a frase mais errada do mundo, só os realmente fortes sobreviverão. O que eu não percebo é que no começo de alguma coisa, ninguém ainda é realmente forte para agüentar minhas frasezinhas bombas. E todo mundo, sem exceção, acaba correndo assustado. E no dia seguinte eu acordo com aquele misto de vitória com tristeza. Sozinha novamente. Como se isso fosse um prêmio mas também uma doença.Dentre as minhas frasezinhas bombas tenho três prediletas “to morrendo de saudades de você”, “a vida sem amor é uma merda” e “você me dá pouca atenção”. Quase nunca to morrendo de saudades de alguém, não existe a menor chance de eu amar algum desses trastes que me aparecem e caguei se eles me dão ou não muita atenção. Mas ainda assim falo, ainda assim mando uma frase dessas. Só pra ter o triste prazer de ver o covarde ficando branco, escondendo os dentes, enfiando o pinto no cu. E sumindo finalmente da minha vida.É o jeito que arrumei de me rebelar contra essa hipocrisia masculina. Eles podem dormir na casa da gente, enfiar o pauzinho no meio das pernas da gente, pedir uma torradinha com requeijão de manhã, mijar pra fora do nosso vaso, contar a vida deles e pedir mais carinho nas costas. Mas não suportam ouvir no dia seguinte um simples “gosto de você”. Covardes de merda. Odeio essa hipocrisia masculina. Se eles falam mil vezes que querem te ver é tesão e você não pode se assustar, mas se você falar uma única vez que quer vê-los, é porque você é uma mala que está “misturando sentimentos”. E eles podem se assustar. Que preguiça desse planetinha dos macacos e suas bananas.E sigo com minhas frases matadoras. “Pensei em você hoje”; “Voltei antes pra te ver”; “Vamos nos ver hoje?”; “Vamos comigo na festa da minha amiga?”; “O que você vai fazer no feriado?”E tenho cada dia mais nojo de como frases ditas pra ser agradável soam como um assassinato. E tenho nojo de pensar que quando você tira o controle deles, eles não sabem mais o que fazer com você. “O que eu vou fazer com uma mulher que eu já conquistei?” Que tal continuar conquistando todos os dias, seu idiota? Que tal viver uma história que passe da primeira página? Tenho cada dia mais nojo de como as pessoas se consomem e não se conhecem, não vivem nada. Não sabem nada da vida da outra a não ser o tamanho dos peitos e se o desenho dos pêlos é mais para Claudia Ohana ou bigodinho do Hitler.Sempre lembro de uma vez que fui passar cinco dias com um namorado no alto de uma montanha e ele me apareceu com um verdadeiro “kit putaria”. Passou antes no sex shop e comprou de óleo de massagem a roupinha de enfermeira. Tenho certeza que fez isso porque pensou “que porra vou fazer com uma mulher cinco dias em cima de uma montanha a não se trepar”? Se fosse algum dos seus amiguinhos eles poderiam rir, se divertir, beber, conversar, apostar corrida, jogar videogame, brincar na piscina, fazer trilha. Mas com uma mulher? Um ser estranho chamado mulher? Que porra ele iria fazer não é mesmo?Homens acham que a página 1 é trepar e a página 2 é casar. E como têm pavor da 2 (e quem disse que as mulheres também não têm?) acabam nunca saindo da 1. E nisso conversas incríveis, descobertas maravilhosas e histórias lindas morrem antes mesmo de nascer. Eles podem te comer mas jamais passear de mãos dadas com você.Isso tudo me dá um bode profundo. Mas no fundo tenho mais bode é de mim. Por ter dito frases desse tipo para pessoas sem nenhuma magia, sem nenhuma poesia. E que ao invés de enxergar beleza enxergaram “carne ganha”. E no fundo eu nem sentia nada por essas pessoas, estava apenas testando a hipocrisia do mundo. Estava apenas comprovando que se tratava apenas de mais uma “carne podre”. Acho de verdade que a puta da Glenn Close estragou a vida de algumas mulheres. Basta você dizer um inocente “você é legal” pro cara achar que você vai se mudar pra casa dele, mergulhar o poodle dele numa panela fervendo e parir trigêmeos bem no dia do futebol com os amigos. Da onde eles tiram que somos tão assustadoras? A gente só quer ter com quem rir no final do dia e ganhar alguns beijos no lugar certo. Nada muito diferente do que eles querem.Mas cansei. Definitivamente cansei. Cansei de um mero “nossa, tava pensando em você” equivaler a um “nossa, tava pensando em você de terno e gravata no altar de uma igreja”. Já que pouca coisa assusta tanto, decidi que agora vou jogar pesado. Daqui pra frente minhas frases matadoras vão ser de “quero ter um filho seu” pra pior. Quem quiser sair comigo vai ter de ouvir “posso dormir aqui?” ou ainda “acho que posso me apaixonar por você”.E quem sobreviver a esse verdadeiro extermínio de pretendentes, vai descobrir que eu sou só mais um ser que morre de medo do amor e da convivência. Vai descobrir que falo as frases erradas justamente pra espantar as pessoas e não ter mais trabalho. Mas de verdade (e dessa vez sem medo de assustar ninguém) adoraria encontrar alguém que resolvesse correr esse risco junto comigo.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Ele está sempre certo no final

Você não sabe amar, meu bem,
Não sabe o que é o amor
Nunca viveu, nunca sofreu,
E quer saber mais que eu
O nosso amor parou aqui
E foi melhor assim
Você esperava e eu também
Que fosse esse seu fim
O nosso amor não teve ferida
as coisas boas da vida
E foi melhor para você
E foi também melhor pra mim


(Chico Buarque)

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Nascer, crescer, amar, odiar, morrer (não necessariamente nessa ordem)

Vai, pode dizer: você tem medo de gostar de mim. Medo de gostar e querer se dedicar a outra coisa que não seja o seu próprio desejo. Medo de deixar que eu domine a sua vontade. Medo que eu te engula por inteiro e de que seja tão bom quanto a parte. Medo de gozar. Medo de que eu faça você se distrair do seu egoísmo. Medo do tempo que você vai perder. Você tem medo de desperdiçar sua energia comigo, como se eu te sugasse e desviasse dos propósitos tão elevados a que você se propõe.

Mas um dia você vai estar pronto.
eu acho.

E quando o dia chegar, aquele em que você conseguir enxergar além
do seu misticismo, me procure.

Eu sou a que vai sempre te amar por inteiro, com medo de não te
ter completo. Fazer poesia e omelete;
te fazer feliz.

Quando você não tiver mais medo de ser feliz me procure.
Eu não vou estar esperando, mas vou estar aqui
com amor, poesia e
omeletes

enquanto isso?

te odeio...

sábado, 25 de agosto de 2007

Concreto

Eu gosto tanto de você
que eu nem sei entender
que só faço temer.
querer.
tremer.

Porque?

A possibilidade de você
faz meu mundo menos tudo
Absurdo
Só querer te ter

Por um instante
Por um segundo

para não ser prisão

Amor?

NÃO.

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Em memória

*Melhor lido ao som de Hope There's Someone - Antony and the Johnsons*

Ele olhava para o telefone. Só. Havia algum tempo que não conseguia tirar os olhos daquele aparelho e, em alguns momentos, ocorria-lhe a esvoaçante pergunta: por quanto tempo mais?

Com os dedos estranhos, repassava a agenda do aparelhinho levemente destruído só mais uma vezinha... só mais uma vez. Tentava convencer-se de que não tinham culpa. Não tinham! TINHAM! Só podiam ter! Cúmplices?

A indiferença de cada um daqueles números berrava e o barulho caótico deixava-lhe duas opções. Eram eles ou ele.

No fundo queria que confirmassem, que lhe dissessem que não estava louco; que não exagerava: que sentiam muito, mesmo. Mas tudo isso acabou vestindo-se de um desesperódio acéfalo.

Já tinha perdido a noção, todas as noções, e precisava fazer alguma coisa. Foi nesse ponto em que, exaurido o suficiente para ter um cheiro coragem, discou. Um número após o outro, o outro, o outro. Só que todas essas vezes a única tradução que encontrava não era exatamente compreensível: gritava e chorava e babava até que, finalmente, tu, tu, tu.

Todas as perguntas mais racionais do mundo não faziam sentido. Será que eles não percebiam? De que adianta perguntar qual era o seu problema? Não era óbvio? Ele sabia que não, mas sufocava. Mesmo assim, sufocava. Queria que percebessem sem ter que explicar, porque colocar em palavras era inacessível, mas ainda precisava de respostas (de consolo!) (de vingança!).

E agora, sem respostas? Em posição fetal misturou embriões de pensamentos, num turbilhão de mortenovoAntonioódiojustiçadorfamíliamudançatristezameninomotosbuzinasterrorsangueEimobilidade. Nisso tudo distinguia a silhueta de uma idéia melhor formada: até quando todos aqueles números tão racionais permaneceriam tão, tão...

A possibilidade de você deixa meu mundo menos tudo

Instante de dois
Cibelle

Não quero que você me coma

Não quero que você me engula
Não quero que você me acorde
Não quero que você me durma
Não quero que você me assista
Não quero que você me assuma
Não quero que você me corte
Não quero que você me inclua

Eu só quero um segundo teu
E um segundo meu
Um instante de dois
Sem mais, nem pra depois eu te dizer
Que eu te amo não
Te amo demais para ser prisão
De dois
Amor

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Teatro Mágico responde matéria da Veja (com a inteligência que faltou aos últimos)

Observe, assunte, note, olhe, ói, perceba, espie...







12/08/2007







Observe. Quase todo mundo fala bem daquele amigo que faz dribles sensacionais no futebol das quartas à noite ou do outro que sempre tira boas notas na prova de matemática; da amiga que é desejada por um exército de marmanjos (e algumas "marmanjas" também) ou da que "com certeza será a médica da turma". Porém, em volta dessas pessoas sempre há aqueles que cochicham pelos cantos: "esse Ricardo é muito metido a jogador de futebol" ou "aquela Letícia acha que sabe de tudo no mundo".




Assunte, então (cacófatos, iurru!). Há duas formas de você falar das virtudes dos outros. Uma é reconhecendo, valorizando e aplaudindo. A outra é tentando ridicularizar e diminuir. É tentando induzir seu interlocutor ao erro de enxergar nos valores do sujeito em questão defeitos e vícios insinuados com ironias baratinhas, dessas que se encontram nas brigas do jardim de infância: "vai, girafa". Fala o nanico desaforado para o grandalhão.







É tentar fazer o vinho parecer suco. Ou melhor, pra ser bem BRASILEIRO, é tentar transformar cachaça da boa em álcool puro. Quando isso vem de um bom humorista, tudo bem. Até dou risada. Mas de um texto pretensamente sério? Aí não dá!




Note que foi exatamente esse o comportamento da revista mais lida do país com relação à um movimento autêntico: A Música Independente. Ela foi quase, quase mesmo, engraçadinha.







(Tic, tac, tic, tac... Cultura é a forma ou etapa evolutiva das tradições e valores intelectuais, morais e espirituais de uma civilização. É um complexo de atividades, instituições e padrões sociais ligados à criação e difusão das belas-artes, ciências humanas e afins. Você sabia??? Tic, tac, tic, tac... Certo colunista, na revista onde só colunistas assinam as (anti)matérias, garante que o Brasil é um país sem cultura. Ops...como isso é possível... Você sabia??? Tic, tac, tic, tac...)







Olhe, antes de tudo vamos desarmar os ânimos de alguns que podem reivindicar a autoria disso ou daquilo: ninguém aqui se quer inventor do "andar pra frente" alheio. Mas essa pólvora chamada de música independente "tá na roda"...ops... Quer dizer, isso tudo também é, com muita legitimidade, nosso.







Ói, música independente é mais que uma tendência. É uma constante. Um novo momento para a produção musical no mundo todo. Mas o "folhetim(zinho - pra melhor dimensionar) de intrigas politiqueiras" não dá a mínima pra isso. Nós também não: pra ele(a). Ou devemos ligar...hum...







Perceba que quem está se expressando agora somos nós. Coisa nova. Assim, não cabe aqui aquele lugar-comum de quem se preocupa em garantir o direito da revista expressar as bobagens que bem queira. Sim, sabemos. Mas vamos confessar: quem quiser que sonhe em compartilhar dessa """EXPRESSIVIDADE"""... (haja aspas: vai voar!!!). Vai sonhando: alada assim (outra vez: cacóf, cof, cof...), mais parece algum regime: a ditadura do mau gosto. Quem sabe...







Espie só tudo isso: O primeiro episódio dessa grande comédia se deu na chegada do nosso querido repórter sem nome. Vamos batizá-lo de "O Inominável Homem das Cavejas". Inhoca, pra simplificar. Isso poderia até virar um jargão para jornalista meia-boca: "que materiazinha "inhoca", hein...".







A pergunta mais maravilhosa de nosso Inhoca foi: "Fernando Anitelli, você tem alguma profissão, ou SÓ toca?". Não é preciso dizer que isso causou uma comichão no nosso camarada...EPA...(desculpem-me. "Camarada" é como blasfêmia e está proibida por certos semanários).







Bom, continuando, nosso AMIGO cantor sentiu uma enorme vontade de responder que sim, tinha uma profissão "pra valer": era cirurgião de "Medula Óssea Encravada" do HC (MOE-HC, para os iniciados). Mas só exercia esse elevado labor da medicina "Paramolequelá" quando estava de folga dos seus deleites irresponsáveis de músico: viajar pelo país fazendo shows, ensaiar com a banda, supervisionar atores circenses...







Ah, dar entrevista para repórter inteligentíssimo como aquele, não conta. É difícil. Esse era, parafraseando o bom Agamenon, "ralo" mesmo. Agora imagine só, nosso heróico Inhoca entrevistando... Assim... Ah, um Adib Jatene, vai: Dr. o senhor tem outra profissão ou SÓ mexe com coração mesmo... Será??? hum...







Dias mais tarde, edição em punho. Bradei: "(depois) lavo minhas mãos". Isso é uma citação, viu? Eles vão adorar: citações sem nexo e "trocara...(hum?) do carilho" são com eles mesmos. Eu acho bonitinho...







Logo vemos no título dessa matéria - em decomposição – um achado que não diz nada. Parece querer desqualificar os grupos por serem juvenis, segundo o "provecto" (palavra difícil: êba, o redator gosta de mim, eu sei o que - ele – é "provecto", êba!).







Sendo assim, Jimi Hendrix, Beatles, Mozart, Medelssohn, Jesus Cristo, todos atingiram o ápice da criatividade quando eram "malfadinhas", ou seja, entre os 20 e 30 anos (segundo o achado...). Realmente "eu quero ser isso todo dia". Tudo coisa de um falso jornalismo (eu ia usar pseudo mas podem me chamar de "cabeça". Entendeu, entendeu...) típico de algum, não digo qual, DINONICOSSAURO (pronto, to contratado pela revista: achei uma palavra sem uso desde eras remotas. Viva, viva, viva!!!).







Aliás, Dinonicos são, quase sempre, especializados no jogo encarniçado de influências na "politicanalha" brasileira. Em que os aliados são cobertos por um escudo de invisibilidade e os adversários são qual a Geni de Chico... Ai meu pai...todos conhecemos a canção "Geni", de Chico Buarque, não é mesmo?: sujeira na cara.







Derrubar desafetos é com eles. Falar de MPB nunca foi. Que o digam todos os Tropicalistas: Tom Zé, Caetano Veloso, Gilberto Gil e por aí vai. Odeie-me, "Revistinha de Jornalismeco em Quadrinhos", eu imploro: me odeie!







Logo adiante, o (mau)humorista desempregado fazendo bico como "palpiteiro de gosto" fala em "rock cabeça". Essa nova forma musical, até agora desconhecida dos músicos do mundo todo, não teve seus mistérios desvendados ali. Mas, se cheguei à conclusão certa, tem algo a ver com as formações instrumentais. Então, "rock cabeça" também era o que fazia nosso querido Stravinsky que lá no começo do século XX compôs coisas como "Les Noces" escrita para quatro pianos, percussão e coros.







Como esse menininho lindinho da revista pode ser tão retrógrado e desinformado a ponto de se escandalizar com algo que só espantaria a cem anos atrás? COMO? Agora, pode ser que "rock cabeça" não seja uma forma musical e, sim, uma classe social: universitários-presepeiros-burguezotes-esquerdóides! Hum, falou, falou, falou e nada disse.







Quando eu vejo grupos dominantes apedrejando universitários, me lembro de uma tomada do filme "Mississippi em Chamas" na qual o prefeito da cidade, membro da Ku Klux Klan (aquele grupo de encapuzados que queimava negros no sul dos EUA), falava para Gene Hackman sobre os ativistas pelos direitos humanos que teriam sido assassinados o seguinte: "... nós vivíamos tranqüilamente aqui (humilhando negros, mulheres, judeus e etc) até aparecerem esses universitários BADERNEIROS".

É o mesmo espírito. Aí tenho que citar, mesmo sem nenhuma afinidade, algum Edir: "Chô", Satanás!







Pois, se esse movimento é cabeça, calma, ele ainda pode ganhar tronco, membros e se transformar em um corpo. Infinitas "presepadas" são necessárias neste país. E elas precisam vir, muitas vezes, dos universitários. Que não seja certa campanha (juro que não digo qual) em pró da "vaia pública à algum adversário das próximas eleições" o que vai mobilizar o povo brasileiro (aí a gandaia ta liberada, né7). Que não sejamos, NUNCA MAIS, massa de manobra de interesses "cretinóides". De intrigas de poder.







Para esta nação, toda a nação, indiferente de ser universitário ou analfabeto; de ser classe média ou baixa; de ser músico ou cirurgião, o que importa é a moralização profunda dos costumes. É a liberdade total das escolhas individuais. Nós buscamos isso e, felizmente, certas forças não "fazem as cabeças" e perturbam os corações como antes.




(O grande pensador inglês, Stuart Mill, em 1869 sobre os direitos das mulheres: "o princípio que regula as relações sociais existentes entre os sexos... deveria ser substituído por uma igualdade perfeita...". Você sabia???... Tic, tac, tic tac...







Colunista de "grande circulação em revista" em 2007: "... e daí se é prostituta? Muita menina enturmada que não cobra pela sacanagem se porta de modo bem pior...". Hein? O que? Não entendi: ta revoltada com a violência ou com a conduta das mininas7 hum... Você sabia??? Tic, tac, tic tac)





Faz algum tempo que revistas e jornais se preocupam com seu futuro. Há uma fenda no quarto poder que se alastra a cada dia. A informação já não pode ser monopolizada. Claro que há um universo de boatarias na internete, mas há muita informação válida e sólida. Os jornais estão na rede. As revistas também. Grandes nomes do jornalismo tradicional, com suas reputações e credibilidade, estão espalhados em centenas de blogs por aqui.







Agora é a vez do Capital começar a escorrer das mãos desse império. Império com menos capital hoje, será menos imperial amanhã. A força de pressão do povo que, sem opção, sempre acaba sustentando seu opressor, pode aumentar.







E nem venha com esse papo bobinho de que a internet é só da classe média e por isso não é representativa. A classe média tem um enorme valor. Além de tudo, aparecem mais e mais espaços baratinhos de acesso à rede pelas periferias. É inevitável que esse fenômeno se popularize. Isso é dinheiro em jogo. E o capitalismo precisa tanto de dinheiro que vai financiar qualquer coisa que gere dinheiro...







Hoje o que surge na internete logo se espalha. No dia seguinte repercute na imprensa velha. Como você chamaria isso? Eu chamo do nascimento de um quinto poder: o poder de articulação de massa. Por exemplo, você pode ter a brilhante idéia de sugerir a todos os seus amigos o seguinte:

"ATENÇÃO: você pode ter sido chamado, pejorativamente, de neo-hippie por buscar a liberdade, a paz e o amor; por querer manter uma harmonia entre si mesmo e o universo ao seu redor; por respeitar o indivíduo e o coletivo; por julgar fundamental a distribuição das riquezas do mundo; por pretender não ser mesquinho nem cínico... Então, aconselho que você cancele imediatamente sua assinatura da revista X, pois ela, por não concordar com nada disso, considera você um verdadeiro VERME ASQUEROSO".







Com isso poderá obter algum respaldo ou não. Mas certamente terá feito o seu protesto. Outra possibilidade: se a programação das TVs não for condizente com os valores morais e estéticos que você julgue fundamentais, agora é só propor à todos o seguinte: "ATENÇÃO: dia nacional sem TV." Ou melhor: "Semana nacional do diga não à babaquice na televisão". Se a audiência cair um ponto: CABEÇAS LÁ DENTRO ROLARÃO.







Em suma, o mundo agora começa a ser PROBLEMA SEU. PROBLEMA DE TODOS NÓS. TODOS. Sabe como isso se chama? PODER. E poder é também RESPONSABILIDADE. O que você fará com sua partícula de poder se o telejornal mentir descaradamente para sua família? Se o vereador desapareceu depois das eleições municipais? Se o senador é um picareta e não dá a mínima para a decência? Eu aconselho que você comece a usar sua ínfima parte nesse novo "quinto poder": espalhe sua indignação. Convoque seus amigos.







Agora, se você estiver do lado dos imbecis, dos falso-moralistas, dos racistas, dos que massacram nossa identidade cultural, dos que cospem em nossa auto-estima, dos que enganam e assassinam, então nem se mexa: não há nada para ser mudado. E saiba: estamos de lados opostos.







Fora isso, pouco me importa seu partido. Quero saber qual é sua ideologia. Esquerda, direita: só não fique em cima do muro. Claro que o Brasil não está rachado entre classes estanques. Na verdade, o país exige como um todo o debate franco e profundo. O cidadão comum não aceita ser convocado para guerras partidárias. Nossa luta é pelo país, pela vida e pela união desse povo tão ricamente distinto em sua CULTURA. Assim, falamos a mesma língua: essa é a nossa "brasilidade"! Entendeu, entendeu...







Quando tocamos para cerca de 30 mil pessoas (recorde de público no festival de chocolate de Ribeirão Pires, onde alguns dias antes uma dupla sertaneja com milhões de cds vendidos e mais de vinte anos de carreira se apresentara) ou para 30 estudantes acampados em protesto contra o descaso que é dado às universidades estaduais, estamos tentando fazer a nossa parte.







VEJA: O TM é apenas uma amostra pequenina de que o interesse popular pode pautar, sim, as redações e a programação das rádios e TVs. Mesmo que sejamos atacados por um ranço "direitóide" e raivoso. No fim, tudo que foi dito é muito bom. Só que foi passado de forma enviesada.







Agora, até certo ponto, eu gostei da matéria: o excesso de reticências, aspas e ironias aqui são uma homenagem singela à ela (esse também, cac, cof...).







Que venham mais e mais reportagens.







PS.: Você já está usando o seu poder??? Espalhe esse texto e outros por aí!!! Se for por uma boa causa: INCOMODE.







Bjs e abraços...

domingo, 12 de agosto de 2007

Sobre o embotamento

Por Gi Montemurro

Imagine que você mora no décimo andar de um prédio e que você está no banho. Agora imagine que seu prédio fica a poucos metros do aeroporto de congonhas e... bum. Olhando pela janela você vê uma enorme quantidade de fumaça e chamas. Qual a sua reação?

Diante de uma das maiores tragédias de São Paulo a reação de um grande número de pessoas dividiu-se entre o desespero natural e a compulsividade pelo registro. Empunhando seus celulares e câmeras fotográficas, e um misto frieza e interesse, todos queriam produzir imagens da catástrofe.

Mas, PARA QUE?

Poucos minutos após o acidente o portal UOL já estampava o seguinte apelo em sua página principal: "Tirou fotos do acidente? Mande para nós!". Talvez o desejo de participar da produção de notícias ocupe parte da explicação para essa fúria fotográfica, mas isso certamente não explica tudo.

Tento voltar ao início e imaginar a minha reação, não encontro resposta. Mais do que criticar ou culpar os outros por sua falta de sensibilidade, consigo apenas sentir meu olhar cada vez mais embotado.

Quem somos nós: bombeiros que tiraram fotos de corpos incinerados, vendedores de pudim à beira do abismo, vizinhos curiosos buscando o registro da morte inédita? Quem somos nós?

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Simpsons

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Love is in the trash

Há muito ouvia falar sobre eles, os loucos da rua, mas ainda não os tinha visto. A cada semana os velhinhos e velhinhas da Padre Carvalho observavam atentamente o casal, tentando capturar detalhes para enriquecer a história contada para os filhos e netos no domingo.
“— E como foi a semana vovó?”
“— Você não sabe o que aconteceu terça-feira! Já te falei dos catadores de papel? Então, foi a maior indecência...”
Não era diferente comigo, até sábado passado. Sentada no carrinho, ela mandava beijos cada vez que ele se afastava para revirar uma lixeira. Quando voltava com algo de valor, comemoravam com longos beijos; quando não, consolavam-se da mesma forma. Bastaram dois minutos de distância para a declaração: “Te amo mais que tudo, meu amor!”.
A cena foi um choque. Chocou-se, não com o meu moralismo, mas com a incoerência da descrição que durante tanto tempo ouvi todos os finais de semana. Qual a indecência do amor?
Muitos sobrevivem à impiedade da grande cidade refugiando-se no desamor (e não devem ser culpados por isso). Mas esses analistas/rotuladores do amor alheio poderiam aprender muito com aquele casal capaz de achar tanto amor em tanto lixo.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2006

.

Hoje me lembraram que devia escrever esse texto e eu estava me sentindo assim: . , ponto, P-O-N-T-O. Algo como disse Chico, estou me sentindo um jiló, um legume. Ainda melhor: me sinto um legume-autista, uma carpa em coma... entenderam?
Ta! Eu sei o que parece, já ouvi isso mais de uma vez: “garota mimada e riquinha” BLÁ, BLÁ, BLÁ... Mas tenho certeza que vocês (justo VOCÊS, leitores desse zine tão interessante) vão me entender! Sabe qual é o problema? É a maldita síndrome de final de ano.
O que faz o final do ano diferente de julho!? NADA! Mas, mesmo assim, todos nós nos colocamos a fazer frenéticos balanços de nossas vidas e do ano que passou. Um poeta (Um, em tempos de Internet o que será da autoria?) já disse melhor do que eu:

"Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias,

a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial,
industrializou a esperança,
fazendo-a funcionar no limite da exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar
e entregar os pontos.
Ai entra o milagre da renovação
e tudo começa outra vez,
com outro numero e outra vontade de acreditar que
daqui por diante vai ser diferente."

[Só tem um probleminhazinho. Me falta essa vontade, eu não acredito. Ou não?]

Mas sabe qual é a coisa mais interessante nesses balanços (e que o poeta esqueceu)? É que eles também fazem a hipocrisia funcionar “no limite da exaustão”. Quem pode dizer que saiu com superavit de qualquer ano? A maior parte de nós, nem que seja só beeeeem no fundo do subconsciente convenientemente esquecido, percebe que as conquistas são poucas... e, mesmo assim, todos saem alardeando grandes feitos durante as visitas aos parentes ausentes no natal.
O que aquele campeonato de futebol que o seu time conquistou fez para o mundo? E aquele seu diploma de arquiteto? E ter encontrado o amor da sua vida? E ter passado naquela matéria daquele professor chato? E ter conseguido fazer o tal regime? Ou não?

Plantão de notícias: enquanto isso na África... enquanto isso no Brasil... fome? Guerras? Morte?

Na verdade, eu acredito (não sei como, mas continuo viva não?). Não em nada do que eu já tenha feito, já disse que me sinto um ponto. Mas acho que acredito que pode chegar o dia em que haverá a possibilidade de eu estar viva para ver, não alguém, mas muitos algéns fazerem alguma coisa de verdade, saírem de si: COLETIVO [e esse texto só de eus é a barreira, derrubem-no].

segunda-feira, 18 de dezembro de 2006

Um presente

.
Muito prazer, sou Giovanna
Mas pode chamar de Gi
Talvez de “A Deusa Profana”

De gauche, de doida de pedra
Até de louca varrida
Ou simplesmente de insana

Detesto todos os rótulos
E não quero nem saber
De sicrano ou de fulana

A música pulsa em mim
Gosto de festas, de gente
De diversão e de cana

Paulista desgovernada
Livre, tímida e tarada
Garota chicobuarqueana

Eu não sou pura nem puta
Eu sou muitas e sou múltiplas
Entre Lilith e Poliana

Quero amor em cada porto
Mas não sei onde atracar
Soy una simple gitana

Eu nunca quis ser perfeita
Corro riscos contra o tempo
Nessa vida arquimundana

Eu ainda não tenho juízo
Porque não sei onde vendem
Por um precinho bacana

Em uma eterna procura
Quem sou eu?
Quem é você?
Muito prazer, sou Giovanna!
.

By Eric Rieser

quarta-feira, 22 de novembro de 2006

Tentativa um tanto quanto...

andandandandandandandanda
PÁRA

Vim, vi, comprei
Um livro

lendolendolendolendolendolendo
menos o poeta
mais a
mim mesma

minha culpa
minha ignorância
minha paralisia
existência geléica
que pode ser mais. só.


E quem ela deve culpar auditóriooo?
A MÃÃÃÃÃE!

Resposta unânime.
Alguém mais para culpar?


Tem como não errar?

NÃO quero ser MÃE

terça-feira, 7 de novembro de 2006

Fotos para vocês, indivíduos pós-modernos que não vivem sem elas =P



Agradecimentos especiais ao querido Carlos (que está demonstrando a interação com a instalação) e desculpas por não ter conseguido ângulo para uma foto melhor da segunda escultura

segunda-feira, 6 de novembro de 2006

“Ai de mim!”: Nuno Ramos na Galeria Fortes Vilaça

Ai essa vontade de “materializar uma cócega existencial”...

“Com arte você tem condições de estancar tudo aquilo a que tem acesso, de tornar aquilo uma coisa real, uma coisa materializável e que se modifica também com o tempo. Quase uma vontade de materializar uma cócega existencial, uma coisa indefinida, uma ansiedade, uma vontade, uma ambição, uma vontade de falar de tudo, de poder ser autor de uma coisa memorável” – disse. Foi assim que Nuno Álvares Pessoa de Almeida Ramos, mais conhecido como Nuno Ramos, respondeu à pergunta “por que sou artista?”.
Nascido em 1960 e formado em Filosofia pela Universidade de São Paulo (USP), Nuno nem sempre teve a arte tão presente em sua vida. De fato, foi somente a partir de meados da década de 80 que passou a dedicar-se integralmente à arte e a um novo movimento vanguardista: a Casa 7, assim intitulada pois o ateliê do grupo era a casa de número 7 em uma vila.
A arte dos integrantes da casa (
Fábio Miguez, Paulo Monteiro, Rodrigo Andrade e Carlito Carvalhosa) focava um novo investimento na pintura brasileira, sob forte influência de movimentos estrangeiros, principalmente o neo-expressionismo. Essa proposta ganha grande visibilidade na época, participando da 18ª Bienal de São Paulo.
Já na década de 90, depois de desmanchado o grupo, o artista começa a investir em instalações. Utilizando os mais diversos materiais, cria obras como “111” (1992), com a qual aborda o (na época recente) massacre do Carandiru. Parece ser uma transição para temáticas mais humanas e posturas mais políticas e críticas, distantes da experimentação das pinturas em papel Kraft da década anterior.
É dessa nova fase do autor que surge sua mais recente instalação: “Ai de mim!”. Influenciada por sua experiência com a literatura e por seu já tradicional trabalho com materiais antagônicos, a obra retrata um tema recorrente para a humanidade: a eterna guerra dos sexos.
A primeira parte, uma enorme peça de aço de aproximadamente 3,5 metros de altura, porta uma voz feminina (da atriz Helena Ignez). Já a segunda, de vidro, não chegando aos dois metros de altura, traz consigo uma voz masculina (do ator Luis Mello). Ambos apontam seus tubos acústicos contra o outro, como dois canhões de palavras. Lêem o texto “Ai de mim!”, que expõe todos os clássicos rancores e mágoas decorrentes da relação entre os sexos.
A instalação é uma clara análise desse tema, repensando os paradigmas clássicos das sociedades ocidentais. Nela, os homens são pequenos e frágeis, representados pelo vidro, enquanto as mulheres aparecem em aço, negando a eterna imagem de “sexo frágil”.
Como disse Alberto Tassinari, "gestar, justapor, aludir, duplicar são quatro modos que Nuno Ramos encontrou para salientar e problematizar a invenção na arte”. E, com “Ai de mim!”, prova que os usa, também, para pensar e questionar de maneira bastante interessante temas universais e relevantes.
PS: Tinhas umas fotos que eu queria postar também. Elas estarão aqui em breve devido a questões informáticas com as quais não estou conseguindo lidar no momento hauahauahauahauahuahau =P
Desculpem a trapalhada!

Heliorama